sexta-feira, 15 de agosto de 2008

DE PROFUNDIS CLAMAVI

Imploro-te piedade,a Ti, razão de amor,
Do fundo abismo onde minha alma jaz sepulta.
É uma cálida terra em plúmbea névoa oculta,
Onde nadam na noite a blasfêmia e o terror;
Por seis meses um morno sol dissolve a bruma,
E durante outros seis a noite cobre o solo;
É um país bem mais nu do que o desnudo pólo
- Nem bestas, nem regatos, nem floresta alguma!
Não há no mundo horror que comparar se possa
À luz perversa desse sol que o gelo acossa
E à noite imensa que no velho Caos se abriu;
Invejo a sorte do animal mais vil,
Capaz de mergulhar num sono que o enregela,
Enquanto o Dédalo do tempo se enovela.

Charles Baudelaire

Gostaria muito de escrever o que sinto, mas me faltam as palavras... A única coisa que sei e sinto é que devo Esperar.

Na vitrola: Portishead - Strangers

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