terça-feira, 5 de agosto de 2008

Charles Baudelaire - As Janelas

As Janelas

Aquele que olha da rua, através de uma janela aberta.
Jamais vê tantas coisas como quem olha para uma janela fechada.
Nada existe mais profundo, mais misterioso, mais fecundo, mais tenebroso, mais deslumbrante, que uma janela iluminada por uma lamparina.
O que se pode ver ao sol nunca é tão interessante como o que acontece por trás de uma vidraça.
Naquele quartinho negro ou luminoso a vida palpita, a vida sonha, a vida sofre.
Para além das ondas de telhados, diviso uma mulher já madura, enrugada, pobre, sempre debruçada sobre alguma coisa, e que nunca sai de casa.
Pela sua fisionomia, pelas suas vestes, por um gesto seu, por um quase - nada.
Reconstituí a história dessa mulher, ou antes, a sua lenda.
Que às vezes conto a mim próprio, a chorar.
Se fosse um pobre velho, eu lhe haveria reconstituído a história com a mesma facilidade.
E vou - me deitar, orgulhoso de ter vivido e sofrido em outras criaturas.

Charles Baudelaire

"Dedico essa poesia de um dos meus autores favoritos a minha amiga Juliana (Pevertida), por estar vivendo momentos comigo que estão sendo vistos pelas janelas, momentos que vemos e vivemos uma ao lado da outra, esperando a expectativa de cada dia. Poderia ter sido muitas pessoas para viver comigo nesses dias, nesses segredos, nesses sentimentos... Mas fui presenteada com uma menina de 14 anos, que me aconcelha como se tivesse 20, que me olha como se tivesse 12 e que no final de tudo realmente eu vejo a sua verdadeira idade e realidade pela doçura de suas palavras comigo. Obrigada amiga, esta sendo ótimo viver todos esses momentos com você."

Na Vitrola: Adriana Calcanhoto - Mais Feliz

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